sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aprendi

Depois de um certo tempo a gente aprende que pra cada ponto final, alguém coloca uma reticência. Aprendi que ser reticente, às vezes é bom. Aprendi que nem tudo que é bom é fácil de concretizar.

Aprendi que amor só se dá. Se você espera algo em troca, deixou de ser amor. E não é de amor romântico que eu falo, não. Isso vale pra toda e qualquer forma de amor.

Aprendi que ser bom não é ser “bonzinho”. Ser “bonzinho” é bestilizar as pessoas a sua volta. Pensa nisso.

Aprendi que não importa o esforço, se tiver que dar errado, vai dar errado. O mesmo funciona pro que deve dar certo.

Mas aprendi também que nem por isso, se poupa esforço. É dele que surgem as oportunidades. As oportunidades que a gente aproveita, ou deixa passar.

Aprendi que quando não é mais possível suportar a realidade, a gente pode criar uma só pra si. Por pouco tempo, mas que faz um bemmmm... Isso faz.

Aprendi que confiança demais nos deixa cego. Desconfiança demais também.

Aprendi que até pra brincar, a gente tem que ser muito adulto. E aprendi que ser adulto é coisa pra poucos.

Aprendi que a gente se constrói a cada dia. A cada minuto. É ingenuidade pensar que já estamos “prontos”.

Aprendi que alguns dos quebra-cabeças da vida nunca serão montados. Certas coisas só são perfeitas, pelo simples fato de serem inacabadas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Siso

Há uns dias eu vinha com uma dor de cabeça estranha. Nada muito forte e longe de ser insuportável, mas uma dor contínua. Pensei estar ficando gripada, ou que fosse um simples cansaço dado às “estripulias” feitas no fim de semana do reveillon, ainda que tivesse noção de que nem foram taaantas “estripulias” assim.

Pois é. Há anos, ou melhor, desde que deixei de passar um reveillon com a família, não me recordo de uma virada de ano tão light como esta. Mas sem dúvida, não menos divertida. Visto que passei 10 horas em uma festa na qual bebidas alcoólicas andavam sozinhas até seu copo, o som era non stop, e as companhias eram as mais divertidas possíveis, entrei meu novo ano de forma memorável. Sem porres, sem precisar segurar o cabelo de ninguém pra vomitar (nem que precisassem segurar o meu), sem perder a noção e entrar naquele clima de “o mundo vai acabar hoje, então vou fazer tudo que quiser, e fod*-se se der merd*” que costuma ser muito comum no dia 31 de dezembro.

Meu dia seguinte foi (quase) sem ressaca, com apenas um cansaço físico pelos dias seguidos de trabalho e mais as 10 horas de festa. Dormi umas 9 horas no total. Fiquei tão descansada, que não demora muito e fui de novo comemorar! Não sei nem bem o que, mas o fato é que sábado por si só é motivo de celebração, então lá fui eu de novo. Bebida sim, música sim, amigos sim, dançando atééé de manhã, sim! Mas novamente, meu dia seguinte era exatamente como dizia Lionel Richie: easy like a sunday morning.

O domingo foi tão tranqüilo, que nem me importei que a vizinha estivesse assistindo Faustão e Fantástico nas alturas (acho que ela tem problema de audição) enquanto eu tentava assistir meus seriados no quarto. Resolvi o problema: fechei a janela e liguei o ar. Era hora de ficar um pouco comigo e descansar, afinal a primeira segunda-feira do ano se aproximava.

E lá veio essa dorzinha de cabeça incomodar novamente. E foi assim durante a semana. Até que ainda há pouco, fui escovar os dentes, e minha escova bateu em alguma coisa que não era usual. Meti o dedão lá no fundo da boca pra averiguar que troço era aquele. E surpresa: meu primeiro siso nascendo. Com o perdão do trocadilho, terei eu começado a me tornar uma pessoa de siso (rs)? Talvez.

O fato é que a extração do dente será mesmo necessária, mas o juízo permanece. Por enquanto.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mulher misteriosa

Ela era uma mulher de presença, porém discreta. Linda, bem vestida, e com os cabelos sempre perfeitos, como comercial de shampoo. Sempre. Ela não vinha com manual de instruções. Muitas vezes ela nem fazia sentido no que falava. Mas a segurança com que dizia suas poucas palavras fazia qualquer gênio questionar suas próprias idéias.
Suas aparições em festas e reuniões duravam no máximo uns 15 minutos. Tempo considerado suficiente para que ela causasse comoção no sexo oposto, inveja nas mulheres, e fosse embora. Mas sua saída nunca foi vista por ninguém. Uns pensavam tê-la visto indo ao banheiro, outros diziam a ter visto no bar, e ainda alguns diziam tê-la visto com o bonitão do local. Mas logo na próxima piscada, a perdiam de vista.

Ninguém sabia exatamente onde ela morava, ou no que trabalhava. Não sabiam se era solteira, casada, ou até mesmo se gostava de homens ou mulheres ou os dois(!). Já se ouviu de tudo sobre ela, mas nenhum fato nunca foi comprovado. Era sempre o “primo do amigo” ou “a cunhada de fulana” que recebiam as “informações”. Sempre que passava, as fofocas caminhavam atrás dela como um rastro. Já sabendo disso, ela sempre passava com um sorriso sonso no rosto, na tentativa de intimidar os rumores.

Sempre me indaguei sobre essa tal mulher misteriosa. Aquela que muitas mulheres querem ser, e os homens tanto desejam. Eu queria ser uma mulher misteriosa. Mas nunca consegui. Nunca tive a pose e a discrição necessárias a essa condição de mistério.

Ainda bem. Hoje eu consigo enxergar que aquela discrição e as poucas palavras eram porque nada ela tinha a dizer. Ninguém sabia sobre a sua vida pessoal, pois era muito sozinha. Se garantia na sua aparência e no que vestia para se sentir bem na própria pele. Seu sorriso sonso, era pelo simples fato de ser mesmo sonsa. Ela era absolutamente decifrável.

De mistério, ela não tinha nada.