quinta-feira, 7 de abril de 2011
Só por hoje
Só por hoje eu quero ver anoitecer com você do meu lado. Só hoje eu quero adormecer ainda abraçado. Hoje eu quero vadiar sem pecado.
Só por hoje eu quero não me sentir culpada. Só hoje eu quero me divertir na madrugada. Hoje eu quero entender essa charada.
Só por hoje eu quero poder gritar. Só hoje eu quero que alguém entenda os conflitos que berram em mim sem parar. Hoje eu quero um ombro pra chorar.
Só por hoje eu quero ter sorte. Só hoje eu preciso ser forte. Hoje eu quero que você me conforte.
Só por hoje eu quero pensar. Só hoje eu quero apostar. Hoje eu preciso despertar.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Ela e Ele, Ele e Ela
Quando se fez a presença, foram surpreendidos. Ela esperava que fosse uma história pra contar em mesa de bar. Ele pensava ser uma história pra contar aos amigos sussurrando pra ninguém mais ouvir. Ela acreditava que depois daquele encontro, iriam seguir seus rumos. Separadamente. Ele pensava que aquilo seria apenas desejo saciado. Mas depois que ficaram lado a lado, já não sabiam mais dizer o que era. Foi preciso um tempo pra entender o que havia acontecido. Mas não muito tempo.
Ela querendo sentir de novo o peso do seu corpo sobre o dela. Ele com a lembrança dela adormecendo no seu peito. E logo, puderam perceber que o desejo latente havia se tornado vontade explícita. E ainda assim, explicitamente doce. Ela e ele, ele e ela, vice-versa, tanto faz. Pra eles não fazia diferença. A reciprocidade morava dentro de cada um.
Ela que pensava ser um homem de saia, e ele que era um não-romântico convicto, agora estavam entregues. À mercê do destino.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Carnaval
Gente feliz, gente desesperada por um copo de cerveja, gente suada, gente mostrando uma critividade ímpar nas suas elaboradas fantasias, garotos travestidos de mulher por pura diversão, e outros por razões que ainda desconhecem. Presenciei a euforia, a alegria desenfreada de uns, e o descontentamento de outros porque a garrafa de vodka estava vazia ou porque o amigo parou no meio do caminho pra vomitar. Por vezes, me senti câmera de cabine de banheiro de tanta bunda e pinto de fora fazendo xixi por aí. Vi meninas lindas acompanhadas de meninos feios, vi garotos lindos arrumando confusão por bobagem, assisti cenas dignas de pornochanchada dos anos 80, e também vi casais fofos dando beijos apaixonados.
Mesmo com todo esse espetáculo, minha fantasia nesse carnaval não foi de super-heroína, gatinha, enfermeira ou marinheira, e sim de espectadora.
E depois de acabar tudo em cinzas, volto à vida, mas não como fênix. Volto à vida com a fantasia mais interessante e peculiar que poderia me servir: Eu mesma.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Aprendi
Depois de um certo tempo a gente aprende que pra cada ponto final, alguém coloca uma reticência. Aprendi que ser reticente, às vezes é bom. Aprendi que nem tudo que é bom é fácil de concretizar.
Aprendi que amor só se dá. Se você espera algo em troca, deixou de ser amor. E não é de amor romântico que eu falo, não. Isso vale pra toda e qualquer forma de amor.
Aprendi que ser bom não é ser “bonzinho”. Ser “bonzinho” é bestilizar as pessoas a sua volta. Pensa nisso.
Aprendi que não importa o esforço, se tiver que dar errado, vai dar errado. O mesmo funciona pro que deve dar certo.
Mas aprendi também que nem por isso, se poupa esforço. É dele que surgem as oportunidades. As oportunidades que a gente aproveita, ou deixa passar.
Aprendi que quando não é mais possível suportar a realidade, a gente pode criar uma só pra si. Por pouco tempo, mas que faz um bemmmm... Isso faz.
Aprendi que confiança demais nos deixa cego. Desconfiança demais também.
Aprendi que até pra brincar, a gente tem que ser muito adulto. E aprendi que ser adulto é coisa pra poucos.
Aprendi que a gente se constrói a cada dia. A cada minuto. É ingenuidade pensar que já estamos “prontos”.
Aprendi que alguns dos quebra-cabeças da vida nunca serão montados. Certas coisas só são perfeitas, pelo simples fato de serem inacabadas.